Vamos falar um pouco mais sobre a Geração Y, uma geração de muitos extremos, e isso é muito visível dentro do mercado de trabalho.

Os-escravos-do-Século-XXI

Muitas pessoas dessa geração resolveram romper completamente com a forma de trabalho tradicional, abandonando as grandes empresas, os empregos formais, os horários e a carteira assinada, valorizando mais seu horário livre.

A questão é que alguns fazem isso de forma utópica e exagerada, o que acaba por lhes trazer problemas, pois nem sempre o mundo corresponde às nossas expectativas ou aos nossos desejos de vida.

Mas existe o outro lado, os que fazem a escolha contrária, resolvendo se dedicar a sua carreira no mundo corporativo ou não, buscando formas para construir uma carreira sólida e de sucesso ou ser um colaborador ou empreendedor aplicado e comprometido. Não há nada tem nada de errado nisso, pelo contrário, é uma ótima qualidade. O problema surge quando as pessoas não conseguem controlar o quanto trabalham ou quando aceitam relações abusivas com seus empregadores.

O problema se agrava quando falamos de um vício em trabalho, os chamados Workaholics. Muitas grandes empresas não sabem apenas como identificar essas pessoas, mas também adoram recrutá-los. Isso porque esses profissionais tornam-se funcionários que trabalham por duas ou três pessoas, mas recebem por uma.

Vale A Pena Trabalhar Tanto?

Nos últimos tempos vi pessoas se orgulhando do tal vício. Postando em redes sociais os sinais do seu “sucesso”, utilizando frases como: “saindo do trabalho às 22h”, “nada como trabalhar no fim de semana”, ou “eu trabalho em média 100 horas por semana!”, e isso se torna para essas pessoas um motivo de orgulho.

Porém, essas pessoas são nada mais do que escravas das próprias carreiras. Essas mesmas pessoas costumam dar desculpas frequentes para este comportamento, como: “tenho que fazer isso enquanto estou novo, porque depois não vou aguentar” ou “eu faço isso agora para depois fazer o que gosto”.

A questão é que esse “depois” pode nunca chegar, ou pior, quando chegar você não vai mais ter a mesma energia que tem hoje para se dedicar a essas outras tarefas que você deixou para depois.

Deparei-me com uma situação dessas essa semana. Uma amiga que trabalha em uma grande multinacional há mais de 4 anos e reclama constantemente do seu trabalho e dos abusos que sofre nele, me contou que está trabalhando cerca de 360 horas por mês. Ela permanece no trabalho de segunda à sexta até 21h ou 22h, trabalha nos finais de semanas e feriados. Basicamente, nunca tem uma folga de verdade. É daquelas pessoas que dormem planejando o próximo dia de trabalho e vão dormir sem ter feito metade do que acreditam que deveriam.

Como o vício em qualquer coisa, um dos pontos dos Workaholics é que eles nunca estão satisfeitos com o que fazem. Sentem como se nunca tivessem trabalhado o bastante ou que seu trabalho sempre rende menos do que deveria. Para combater este problema, eles tendem a trabalhar cada vez mais e mais, em um ciclo vicioso que prejudica, e muito, a pessoa.

Muitos justificam suas horas trabalhadas com o salário que recebem. Ao fazer uma análise superficial pode parecer que você ganhe muito. Mas você já parou para calcular quanto você recebe por hora?

Um dos problemas no Brasil é justamente esse. As pessoas não pensam no seu salário por hora trabalhada, mas sim por valor mensal. Se você, como no caso que citei acima, trabalha 360 horas por mês e recebe R$7,500 reais, na verdade, recebe R$20,84 por hora trabalhada.

Mas a questão mais grave é que você deixa de trabalhar para ter uma boa vida e começa a viver apenas para trabalhar. Quer que eu te prove isso? Um mês tem em média 720 horas, se você trabalha 360 horas por mês, metade do mês você está literalmente trabalhando, se você dormir 6 horas por noite (já é menos que o ideal), lá se foram outras 180 horas, lhe restam agora apenas 180 horas do mês, as quais você deve dividi-las entre alimentação, transporte para ir e voltar do trabalho, higiene pessoal, entre outras tarefas básicas.

Você deixa de ter tempo para ver seus amigos ou se dedicar a sua família, ou algo ainda mais importante, se dedicar a você mesmo, fazer as suas coisas, viver a sua vida.

Aí surgem outras perguntas, quanto tempo você pode se dedicar as outras atividades que aprecia? Outras coisas que você goste de fazer, coisas como: ler, assistir a filmes e séries, ir à academia, ou qualquer outra coisa?

E agora, quantas vezes você consegue realmente se dedicar a essas atividades sem pensar em trabalho ou dividir as atividades com tarefas relacionadas ao seu trabalho?

Se as respostas para essas perguntas te deixaram incomodado, é hora de repensar a sua rotina de trabalho ou mesmo sua carreira. Qual foi a última vez que você se perguntou se realmente é feliz fazendo o que faz? Ou o que é uma pessoa realmente bem sucedida para você?

Entendam que não tem nada de errado em gostar do seu trabalho e gostar de trabalhar, pelo contrário. Eu espero que você goste realmente do que faz. Eu mesmo gosto muito do meu trabalho, mas eu entendo que não posso viver para o meu trabalho, isso não é saudável, precisa existir um equilíbrio.

Lembre-se que tudo o que acontece com a sua mente interfere no seu corpo e tudo o que afeta o corpo, também afeta a mente. Ou seja, se você trabalhar exaustivamente durante anos, sem nenhum controle sobre sua saúde ou sem nenhuma atenção sobre suas necessidades como pessoa, o seu corpo e a sua mente cobrarão esse preço no futuro. Bom, e aí, seus desejos e sonhos que foram deixados para depois, podem acabar sendo adiados por tempo indeterminado ou podem nunca se transformar em realidade.

Existe uma citação bem clichê que é creditada ao Dalai Lama, onde ele diz: “O que mais me surpreende na humanidade são os homens. Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E, por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente e nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer. E morrem como se nunca tivessem vivido.”

Se você não consegue controlar sua vida profissional, seja por vontade própria, no seu próprio negocio, não consegue parar trabalhar porque sempre acha que há coisas urgentes para fazer, ou seja, por “obrigação”, porque a empresa em que você trabalha exige isso de você, um problema existe e precisa ser encarado. E, sim, muitas vezes você precisará de ajuda, porque o vício em trabalho é tão difícil e prejudicial quanto qualquer outro tipo de vício.

Então, se você se vê dentro dessa situação procure ajuda especializada, procure um psicólogo(a), pois somos preparados para isso e às vezes tudo o que você precisa é de uma reorganização na sua vida profissional, seja por meio de uma reorientação ou de um planejamento mais adequado para sua carreira.

Caso tenha alguma dúvida, entre em contato abaixo, terei prazer em ajudá-lo(a)!